Habemus Bispum II

Dom Paulo Cézar 10
Nesse primeiro mês, oficialmente à frente da Diocese de São Carlos, o bispo Dom Cesar Costa, já está mostrando a que veio. Em pouco tempo, ele fez muito mais do imaginávamos, pois nossa percepção de tempo de realização de ações por parte de um bispo não compreendia tal velocidade e vivacidade. Deus seja louvado!

          Percebe-se, claramente, que a diocese já está mais oxigenada com essa presença de espírito e vontade de realizar a evangelização mais perto da base da igreja: as paróquias. Apesar de ainda não ter, naturalmente, muita informação sobre a realidade da diocese, tem demonstrado que vontade não lhe falta para fazer um trabalho de imersão diocesana, afim de propôr seus projetos de direcionamento da ação pastoral.

          Sua capacidade intelectual e experiência pastoral, que adquiriu em sua caminhada, faz com que sua ‘práxis’ seja exatamente aquilo que estamos precisando em nossa diocese. Deus ouviu nossas preces, e não foram poucas, e mandou um dos mais capacitados para tamanho desafio. Até porque enfrentar desafios, Dom Paulo Cesar sabe muito bem. Ele foi o vice-presidente do Comitê Organizador Local (COL), da Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro em 2013, que teve como ponto alto a presença do Papa Francisco.

          Pra quem não sabe a XXVIII Jornada Mundial da Juventude aconteceu de 23 a 28 de julho de 2013 no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, esse evento da Igreja Católica ocorreu em um país cuja língua portuguesa é majoritária, e pela segunda vez em um país da América do Sul – o primeiro encontro no subcontinente foi na Argentina em 1987. A escolha da cidade brasileira foi feita pelo então Papa Bento XVI em 2011, no encerramento da Jornada Mundial da Juventude daquele ano. Com a renúncia do Papa Bento XVI em fevereiro de 2013, o evento foi conduzido pelo seu sucessor, Papa Francisco. Foi o primeiro encontro do novo Papa com a juventude católica e também o primeiro evento internacional do seu pontificado.

          Para se ter uma ideia da dimensão do encontro, basta observar seus números. Segundo o COL (Comitê Organizador Local), o público presente à Missa de Envio (último ato central da JMJ) chegou a 3,7 milhões de pessoas. Ainda segundo o COL, a Cerimônia de Abertura, na terça-feira, 23, reuniu cerca de 600 mil pessoas, já a Cerimônia de acolhida do Santo Padre, na quinta-feira, 25, reuniu 1,2 milhões de pessoas em Copacabana, enquanto a Via-Sacra chegou a 2 milhões na sexta-feira, 26.
Na Vigília, cerca de 3,5 milhões de jovens estiveram na praia de Copacabana. Foram 427 mil inscrições, de 175 países. Peregrinos inscritos com hospedagens foram cerca de 180 mil, enquanto as vagas disponibilizadas para hospedagem em casas de família e instituições chegaram a 356,4 mil. A estimativa de gastos feitos pelos visitantes ficou em cerca de R$ 1,8 bilhão.

          O custo estimado do evento foi de R$ 118 milhões, pagos pelo COL (sem dinheiro público, vale ressaltar). A participação do Governo do Estado e Prefeitura se deu no que se refere à segurança e saúde dos peregrinos. Segundo o Ministério do Turismo, o evento trouxe a maior movimentação de turistas da história do Brasil, até então. Então, é natural que um desafio dessa dimensão, realizado com êxito, como todos nós acompanhamos pela TV e mídias virtuais, deu uma experiência pessoal incomensurável a Dom Paulo Cesar que ora coloca a serviço de nossa diocese.

          Em nossa diocese, Dom Paulo Cesar administra 120 paróquias da região, com 149 padres e cerca de 1 milhão de fiéis, com suas particularidades culturais e especificidades que variam de grau em caminhada pastoral. Uma missão desafiadora e estimulante para todos nós leigos e religiosos que acreditamos no Evangelho de Cristo e sabemos da urgência dessa evangelização num mundo tão conturbado como o que estamos vivendo. As paróquias, que se constituem na base da igreja, devem ser transformadas pela comunhão de suas comunidades em verdadeiros oásis, onde a água viva transborde e contagie espiritualmente a sociedade em que se insere. Precisamos aproveitar esse momento abençoado para viver um ‘novo Pentecostes’ na diocese, onde o ideal não se negocie e que Jesus se manifeste cada vez mais através de nossas palavras e nossas ações.

Como diria o saudoso Padre Leo, da Comunidade Bethânia:

(…)É preciso despojar-se de tudo o que é velho e ultrapassado. É preciso cantar o cântico novo, mas esse cântico só pode ser cantado por homens novos, e homens novos necessitam de coração novo.
Com o Pentecostes, tudo é novo: novo testamento, vinho novo, cântico novo, vaso novo e homem novo.
Só quem tem coração novo é capaz de cantar o cântico novo
. (…)
Assim seja, Amém!

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O teórico Paulo Cezar Costa

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Anunciar Jesus Cristo na Pós-Modernidade:
Desafios e perspectivas
(trecho)

Paulo Cezar Costa

(…)A Igreja é uma dessas instituições que ajuda na criação de unidade, integração, que ajuda a romper o anonimato. Os Evangelhos acentuam Jesus que tira as pessoas do anonimato, dá-lhes um rosto, uma face. A sua humanidade será sempre expressão da grandeza do amor de Deus. A proposta de redes de comunicação pode ajudar a tirar as pessoas do anonimato, da isolação, do individualismo e da solidão atormentadora. O motor dos encontros será sempre o interesse. Haverá tantas situações de encontro quantas forem os interesses criados: profissionais, lúdicos, intelectuais, sociais, políticos, religiosos, de informática, etc.

          É necessário criar inúmeros núcleos de interesses que agrupem as pessoas livremente, de acordo com os seus interesses. Estes núcleos permitem a troca de experiências, troca de saberes, encontros, atividades que respondem a finalidades diversas: cria laços entre as pessoas, rompe a solidão e o individualismo, dá um rosto à pessoa, tira o ser humano do anonimato. A Igreja, ou melhor, a paróquia, pensada em nível de redes, pode transformar a ação pastoral. A paróquia deverá ser assim, a rede de pequenas comunidades e, ao mesmo tempo, o espaço da consciência de eclesialidade comunitária. A cidade é lugar de salvação. A cidade de Jerusalém, que Jesus conheceu, visitou e fora dos seus muros morreu e ressuscitou, é sinal da Jerusalém celeste.

          O Evangelho desde as origens foi anunciado nas grandes cidades do império Romano. Paulo foi um evangelizador urbano. Para ser presença viva no complexo tecido da cidade, a Igreja precisa ser concebida na sua riqueza ministerial e pensar novas formas de presença evangelizadora nos diversos ambientes urbanos. A atividade pastoral necessita superar os limites da dimensão territorial da paróquia em direção aos diversos setores da cidade, aqueles ambientes onde as pessoas na cidade moderna passam a maior parte do tempo de vida. Estes constituem espaços privilegiados de evangelização, lugares onde os cristãos, sobretudo o laicato, são chamados a dar testemunho do próprio batismo, a ser ali uma presença viva de Igreja. Para responder a esta presença nos diversos espaços, urge desenvolver mais a ministerialidade dos leigos na vida da Igreja.

          Se em um momento, em algumas regiões, parece-se ter incentivado muito a ministerialidade leiga em detrimento da ordenada; hoje, em uma eclesiologia de comunhão, necessita-se incentivar ambas, em uma relação de complementação entre elas, não de oposição. A ministerialidade ordenada é fundamental e insubstituível na Igreja; porém, não esgota a ministerialidade da Igreja. Isto é feito também pelos membros de movimentos religiosos, que noticiam atividades várias realizadas nos diversos ambientes da vida profissional e familiar (acadêmico, esportivo, político, operário, empresa- rial, etc.). (…)

Clique e leia a íntegra do texto

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Veja mais alguns textos do Bispo Dom Paulo Cesar Costa.

 1 – Legado teológico-pastoral de Bento XVI
2 –  
Jesus Cristo, ‘príncipe da paz’
3 – 
Configurados no amor de Cristo pela Igreja
4 – 
O mistério pascal de Cristo, revelação de Deus – amor
5 – 
Estive doente e me visitastes
6 – 
O discipulado de Jesus Cristo
7 – 
O mistério da encarnação, sentido da vida humana
8 – 
O anúncio de Jesus Cristo na grande cidade
9 – 
Evangelização e inculturação
10 – 
A relação entre o Evangelho de Cristo e a cultura
11 – 
Jesus Cristo, realização do discípulo-missionário

Teocomunicação, Porto Alegre, v. 40, n. 1, p. 3-20, jan./abr.
2010 10 COSTA, P. C.

 

* Marcelo Henrique de Lima
é coordenador da Pascom Sant’Ana de Araraquara

 

Paróquia Sant'Ana

Pastoral da Comunicação da igreja de Sant'Ana, da Diocese de São Carlos. Acreditamos que as novas tecnologias e meios de comunicação são ótimas ferramentas para evangelizar e propagar a da palavra de Deus.

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